domingo, 24 de setembro de 2017

O Brasil ortodoxo

O Brasil é um país basicamente ortodoxo , e a extroversão é a sua condição de cumprimento absoluto . Mesmo sendo uma das nações mais corruptas do mundo , o povo continua alegre ,expansivo, comunicativo, sociável e ninguém ousa tentar romper com essa imposição ideológica por medo das consequências de desaprovação universal .Na Europa nórdica, que é exemplo de desenvolvimento, não há essa exigência social e a sua população endêmica por vezes é taxada de fria pelos extrovertidos dos países tórridos , sendo essa própria postura crítica , uma característica elementar da falta de um espírito de extroversidade. Observe a nítida contradição instalada na sociedade brasileira ; note que há um instinto corruptor nato impregnado em nossa cultura , e que manifesta-se no poder, não de forma pontual , mas como uma expressão de um povo que nega a si mesmo , apontando para aqueles que supostamente agiriam de má fé sem considerar que a própria instituição social auto-deteriora-se ao organizar-se através da imposição de padrões de comportamentos delimitados por normas e valores específicos. Há a padronização do modo de pensar , e essa é uma comcepção estreita. A corrupção é identificada quando o padrão é quebrado, quando as leis são infringidas mas,não seria ao acaso , a determinação de padrões, e não a sua violação , a causa da corrupção? Não seria o sorriso do povo brasileiro, apenas uma forma de adequação cultural completamente desvinculada de qualquer nuance de espontaneidade ,ou um modelo ditatorial , onde aquele que infringe as regras é veementemente punido por estar em desconformidade com a alegria do povo?

A sabedoria aquisitiva

Se o parâmetro que mede a sabedoria de um indivíduo é a sua capacidade de armazenar informações , então tal saber não passa de aquisição material . Pode-se adquirir bens, conhecimento , cada vez mais, técnico, filosófico , religioso , acompanhar debates , concordar ou discordar com os pensadores modernos por adequarem-se ou não a certa visão pessoal ou deixar-se influenciar pelas idéias deles e mudando as próprias. Há esse impulso de alterar-se , de tornar-se outro , e esse outro, uma projeção no amanhã, daquilo o que não se pode ser hoje. O futuro, ocorre no presente , como um reflexo do passado . O amanhã , condicionado por aquilo que passou , quando vier a ser já ter-se-à sido. Assim, o próximo, é o anterior, o amanhã foi ontem, e o futuro será o pretérito. Viver essa compreensão, é livrar-se do fardo da associação material , matéria sendo um resultado do tempo e , tempo como o conhecimento que permite a interpretação do campo cogniscível. A liberdade do domínio conhecível envolve a dissolução do universo descritivo, no qual o descritor separa-se da coisa descrita alocando-a psicologicamente . A percepção localizada do objeto é sempre subjetiva e o sujeito sendo também objectual, é projetado exteriormente ,habitando em todo o tempo no mundo de si mesmo.

O grande equívoco

Há certo equívoco em torno dessa coisa de vazio existencial ou incompletude ou seja lá qual for o nome . A questão é que a mente busca por permanência, continuidade ; a mente quer que o prazer não tenha fim nunca , e quando este finda ,ela interpreta o fato erroneamente e acredita estar muito deprimida , distêmica ou outra idiotice qualquer que os especialistas em neuroproblemas, professores, filósofos , inventam .Há arraigado em nós um sentimento constante de vazio mas se você olhá-lo de perto, talvez perceba que ele nada mais é do que estar em desconformidade com modelos sociais amplamente aceitos e tidos como ideais . Enquadrar-se em tais modelos, é fonte de prazer , porém esse prazer invariavelmente dilui-se em algum ponto e o vazio e sentimento de incompletude surgem mas o que martiriza de fato , não é a falta de alguma coisa , mas sim , o rompimento do sentido de permanência daquele prazer..

Mais do mesmo

Certa vez em uma de suas palestras, Krishnamurti dizia que nós podemos ler as páginas do livro da história da humanidade , dispensando uma vida nisto ,ou lê-lo num relance pondo-lhe um fim por completo imediatamente. Acho que ele sugeria na ocasião , encerrar com uma suposta auto-imagem através da pronta percepção daquilo o que acreditamos ser . É uma visão incomum já que cada um tem a sua individualidade , com suas idiossincrasias , idiotices e particularidades ,firmemente estabelecidas na sua inconsciência e vive nessa condição sem questioná-la. Há equivoco quanto a interpretação etimológica e adequação contextual da palavra indivíduo , que significa não-dividido , e a identidade por crê-se própria de cada um , ocorreria dividida, isolada das demais ; na sua base , o indivíduo é um agregado de opiniões que de próprias não tem nada ; ele não é pessoal ,ele é resultante de um complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei , a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos em sua intimidade , como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro, e esse conjunto de características que distinguem uma pessoa, repousaria na consciência humana, tudo isso nela manifestando-se , e ainda sendo ela mesma ; a humanidade sou eu , o meu cérebro, que crê ser particular mas é universal , e que em seu sono esqueceu-se de que essa particularidade é comum a todos . Veja só, o indivíduo , que sou eu e você é uma contradição ,por que acredita ser individual, porém essa própria crença, é parte da crença comum de acreditar-se um indivíduo, o que perverteria de imediato a individualidade . Somos contraditórios por que sabemos o que queremos , elaboramos uma estratégia de ação e como resposta obtemos exatamente o oposto ; e esse padrão se repete até a morte , ignorantes de que tudo era uma idéia impossível de ser verificada no plano das coisas concretas. Veja ,essa compreensão é tão profunda que é capaz , em algum nível, de afetar nossa rede neural , de forma que a mente perceba a estupidez de continuar dispersa em discussões sem propósitos e leituras intermináveis de livros e resenhas. Não conheço nada de filosofia por que não tenho interesse ,por que à primeira vista ela não me é interessante , não,com isto ,querendo atacar a sua crença .O saber ,como o objeto da filosofia – ou seja lá qual for ele –em cujo procedimento de aquisição de sabedoria há gradualidade , essa gradualidade mesma implica tempo ; implica um movimento do passado ao futuro , disto àquilo, do não-saber ao saber ,e em seu núcleo já estaria instalada a corrupção jamais podendo ser um caminho conducente a qualquer coisa atemporal ,imóvel,irrefutável ; é tudo ainda distração ; mais do mesmo, de uma forma elegante.'

O analista e o objeto analítico

Por apoiarem-se na reflexão , que é uma análise detalhada sobre um ponto determinado , as elocubrações só podem tentar resolver problemas periféricos.Numa análise há implicado o analista que analisa o objeto analítico ;o objeto analítico reside superficialmente na periferia, e quando ele é desvendado , o problema central o recria alocando-o em seu perímetro mais uma vez , num ciclo eterno. O problema central é o analista que por diferenciar-se do objeto analítico dedica-se a conhecê-lo , cego ao fato de que este é aquele

sábado, 29 de julho de 2017

Sob o vento

A  palmeira não escolhe a direção para qual  o vento está a  farfalhar  suas folhas ;ela permanece completamente entregue ao Ser . Por que não observamos o princípio que rege a natureza e o tornamos  nosso?

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O conhecedor e o objeto de conhecimento

A intenção é o impulso que projeta o objeto externo a ser conhecido pelo sujeito conhecedor , porém esse sujeito estando condicionado pelo seu conhecimento, nada de novo pode conhecer.