domingo, 24 de setembro de 2017

Mais do mesmo

Certa vez em uma de suas palestras, Krishnamurti dizia que nós podemos ler as páginas do livro da história da humanidade , dispensando uma vida nisto ,ou lê-lo num relance pondo-lhe um fim por completo imediatamente. Acho que ele sugeria na ocasião , encerrar com uma suposta auto-imagem através da pronta percepção daquilo o que acreditamos ser . É uma visão incomum já que cada um tem a sua individualidade , com suas idiossincrasias , idiotices e particularidades ,firmemente estabelecidas na sua inconsciência e vive nessa condição sem questioná-la. Há equivoco quanto a interpretação etimológica e adequação contextual da palavra indivíduo , que significa não-dividido , e a identidade por crê-se própria de cada um , ocorreria dividida, isolada das demais ; na sua base , o indivíduo é um agregado de opiniões que de próprias não tem nada ; ele não é pessoal ,ele é resultante de um complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei , a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos em sua intimidade , como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro, e esse conjunto de características que distinguem uma pessoa, repousaria na consciência humana, tudo isso nela manifestando-se , e ainda sendo ela mesma ; a humanidade sou eu , o meu cérebro, que crê ser particular mas é universal , e que em seu sono esqueceu-se de que essa particularidade é comum a todos . Veja só, o indivíduo , que sou eu e você é uma contradição ,por que acredita ser individual, porém essa própria crença, é parte da crença comum de acreditar-se um indivíduo, o que perverteria de imediato a individualidade . Somos contraditórios por que sabemos o que queremos , elaboramos uma estratégia de ação e como resposta obtemos exatamente o oposto ; e esse padrão se repete até a morte , ignorantes de que tudo era uma idéia impossível de ser verificada no plano das coisas concretas. Veja ,essa compreensão é tão profunda que é capaz , em algum nível, de afetar nossa rede neural , de forma que a mente perceba a estupidez de continuar dispersa em discussões sem propósitos e leituras intermináveis de livros e resenhas. Não conheço nada de filosofia por que não tenho interesse ,por que à primeira vista ela não me é interessante , não,com isto ,querendo atacar a sua crença .O saber ,como o objeto da filosofia – ou seja lá qual for ele –em cujo procedimento de aquisição de sabedoria há gradualidade , essa gradualidade mesma implica tempo ; implica um movimento do passado ao futuro , disto àquilo, do não-saber ao saber ,e em seu núcleo já estaria instalada a corrupção jamais podendo ser um caminho conducente a qualquer coisa atemporal ,imóvel,irrefutável ; é tudo ainda distração ; mais do mesmo, de uma forma elegante.'

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